Caminhos preferenciais: Universidades brasileiras preferidas pelos empregadores

Vivemos a era da globalização e da conectividade. O mundo ficou pequeno. Não há mais espaços intransponíveis


Ilustração de uma mão fazendo um circulo de caneta em uma foto

É possível viver, trabalhar e fazer negócios em qualquer parte do mundo. Isso, ao mesmo tempo, representa vantagens e desvantagens. O ir e vir que traz as possibilidades de crescimento por meio do intercâmbio, o aprendizado de novas línguas, as culturas diferenciadas com as quais passamos a ter contato, a chance de fechar novos contratos com parceiros em qualquer lugar do planeta, entre outras oportunidades reais de crescimento pessoal e profissional se apresentam para todos aqueles destemidos cidadãos do mundo. Há, também, o outro lado da história, marcado por uma competição entre uma maior e mais qualificada quantidade de pessoas por um lugar ao sol, as evidentes diferenças a favor e contra que existem entre os países do mundo a efetivar vantagens e benefícios para quem é mais desenvolvido, os custos de cada nação a incidir sobre produtos e serviços e tornar mais difícil a situação de países como o Brasil, a educação de qualidade (ou não) que aumenta ou diminui as chances das pessoas conseguirem melhores empregos e oportunidades, o desconhecimento ou despreparo para competir no mercado global...

O essencial, para sobreviver em meio as dificuldades e aproveitar as oportunidades é conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho ou empreender com diferenciais que o façam se destacar em relação aos demais competidores.

Atualmente, as contratações para os melhores cargos ou o apoio por parte de investidores para que você consiga fazer seu negócio promissor deslanchar passam por um currículo onde experiências e formação demonstrem o quanto você se destaca em meio aos demais. Não parece algo tão novo assim, tendo em vista que isso já constituía elementos de busca pelos empregadores, headhunters, agências de emprego ou, ainda, mais recentemente, por investidores.

A questão passou a ser que, com o advento da internet, as possibilidades de encontrar informações sobre você, sejam aquelas que são disponibilizadas no Linkedin ou em qualquer outro meio, como redes sociais não focadas em aspectos profissionais, informações de cunho acadêmico oferecidas por sites governamentais ou por ONGs (no Brasil temos, por exemplo, o Currículo Lattes, de suma importância para quem está ativo em pesquisas, fazendo mestrado ou doutorado, atuando em grupos de especialistas...), blogs ou sites pessoais, entrevistas e materiais disponibilizados em redes e portais noticiosos... Tudo o que fazemos está sendo, de alguma forma mapeado, disponibilizado e encontra-se a disposição para que os recrutadores saibam quem, de fato, você realmente é.

Além disso, as instituições formadoras, como as universidades, são constantemente avaliadas por sua produção científica, corpo docente, instalações, parcerias acadêmicas, acordos com empresas e terceiro setor, qualidade de ensino, atualização e capacidade de formar profissionais diferenciados que fazem diferença no mercado de trabalho.

Temos, no Brasil, rankings como o RUF, o Ranking das Universidades do Brasil, elaborado pela Folha de São Paulo, constituído com base em uma avaliação anual, com dados de 196 universidades, avaliando dados nacionais e atento a cinco aspectos: pesquisa, ensino, mercado, internacionalização e inovação. Além disso os órgãos governamentais, com destaque para as ações do MEC, por meio do INEP, a realizar constantes pesquisas e avaliar o trabalho de educadores e estudantes, igualmente procura demonstrar a qualidade das instituições de ensino superior no Brasil.

Há, porém, além das avaliações nacionais, levantamentos internacionais que demonstram como estamos em relação as instituições de outros países. Neste aspecto, por exemplo, as universidades brasileiras estão muito distantes das primeiras colocações apresentadas nestes levantamentos, dominados por instituições norte-americanas e europeias, como Stanford, Harvard, Oxford, Cambridge e o MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Um dos mais recentes documentos apresentados mundialmente com foco na qualidade das universidades mundiais, publicado pelo Center for World University Rankings (CWUR), dos Emirados Árabes, destacou as 1000 melhores instituições de ensino superior do mundo e, entre elas, somente 4 brasileiras conseguiram estar presentes.

A USP ficou entre as 100 melhores do mundo, ocupando o 77º lugar e continua sendo considerada, por este ranking, a melhor da América Latina. Outras brasileiras que aparecem neste levantamento são a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na 298ª posição; a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 360ª; e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 372º lugar.

Outro levantamento importante que ganhou evidência na mídia em 2018, realizado pelo Times Higher Education, grupo conceituado de Londres, com foco apenas nas universidades da América Latina, colocou a Unicamp como a melhor instituição de ensino superior da região e, portanto, do Brasil, seguido de perto pela USP. Outras instituições destacadas neste ranking local, com foco na América Latina foram a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em 4º lugar, a PUC-RJ, na 7ª colocação, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), na 9ª posição e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), na 10ª colocação.

A despeito destes rankings, a publicação recente de um levantamento através do qual se identificam as instituições de ensino superior mais valorizadas pelos empregadores para fins de contratação reforça a força de tais universidades perante o mercado.

Realizado pela empresa britânica Quacquarelli Symonds, com foco em 600 universidades do mundo todo, o levantamento destacou 7 instituições de ensino superior do Brasil como aquelas com maior reconhecimento do mercado para contratação de novos profissionais recém-formados ou, mesmo, de pessoas já ativas no mercado e que se graduaram ou se qualificaram por meio de cursos de pós-graduação (stricto ou lato sensu) nos cursos por elas oferecidos.

Foram destacadas, entre as universidades brasileiras, nesta pesquisa, a USP, que está entre as 100 melhores, ocupando a 61ª posição; a Unicamp, que ficou entre as posições 201 e 250; seguida pela UFRJ, posicionada entre o 251º e o 300º lugar; e pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), a UNB (Universidade de Brasília), a UFMG e a Unifesp na lista das 500 melhores.

E o que se considera para compor este ranking mais específico? Há 5 fatores que levam tais universidades brasileiras a contarem com tal estima do mercado de trabalho, a saber:

  • Reputação da instituição entre as empresas;
  • Sucesso dos ex-alunos;
  • Parcerias com empregadores;
  • Presença de companhias no campus;
  • Taxa de empregabilidade.

São índices e bases diferenciadas em relação ao que as avaliações de cunho mais acadêmico destacam, mas tão importantes quanto para termos uma dimensão correta de como as universidades brasileiras estão se adequando a competitividade global, neste mundo tão conectado. A atenção as parcerias com empresas, a publicação de estudos, o requerimento de patentes, o desenvolvimento em Pesquisa e Desenvolvimento, o ensejo a empresas júnior ou a incubadoras que oportunizem o surgimento de start-ups, por exemplo, são ações almejadas pelo mercado que valorizam as instituições e seus formandos. Para as universidades brasileiras que não estão aparecendo para o mercado mundial é importante acender a luz vermelha, rever processos, atualizar currículos, renovar as propostas de trabalho acadêmico, partir para ações de pesquisa e promover parcerias que permitam a elas ascender nesta nova realidade. Para quem já está por lá, destacando-se, é preciso mirar novos e mais elevados objetivos, crescer nos rankings e tornar-se mais e mais global e conectada...


João Luís de Almeida Machado

João Luís de Almeida Machado

Consultor em Educação e Inovação, Doutor e Mestre em Educação, historiador, pesquisador e escritor.

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