Jogar, planejar e desenvolver: análise do jogo Ludo (parte final)

Análises realizadas pelos alunos sobre o jogo Ludo


Jovens juntos e discutindo sobre uma atividade

Como havia prometido em no artigo anterior, “Jogar, planejar e desenvolver: análise do jogo Ludo (primeira parte)”, seguem abaixo as análises realizadas pelos alunos sobre o jogo Ludo. Apenas para contextualizar, a atividade de análise de jogos tem por objetivo levar aodesenvolver nos alunos competências para o desenvolvimento de projetos que tenham os elementos utilizados no mundo dos jogos, como regras, mecânica e um sistema estético. Acredito ser importante conhecer essa dinâmica para que sirva de alternativa para o desenvolvimento de outras atividades que possam até não estar diretamente vinculada ao mundo dos jogos, envolvendo a compreensão da importância do planejamento e da sintaxe visual, envolvendo cores, formas e hierarquia dos elementos da informação visual, e da relevância das regras para o bom funcionamento de uma determinada atividade, por exemplo. Criar esses vínculos é muito importante para a compreensão do objetivo da proposta por parte dos alunos.  As perguntas realizadas foram:

1- Descreva o que você achou do jogo. É fácil ou difícil jogá-lo?

2 - Explique como funciona a mecânica do jogo?

3 - (A mais importante) O que você mudaria no jogo? Por quequê?

Os resultados das análises foram excelentes. Não inseri nas respostas abaixo a análise da segunda pergunta por se tratar de um conceito mais técnico. Ao final de cada análise, incluí um pequeno comentário referente aos aspectos compreendidos na resposta. Veja abaixo algumas delas (tentei manter os textos o mais próximo possível do original):

“Achei o jogo simples e divertido, de fácil entendimento. A competitividade ao mesmo tempo é simples e desafiadora. Eu colocaria mais desafios para tornar um jogo mais desafiador”. (análise referente às mudanças na mecânica do jogo)
Gabriel Farias, 16 anos

“Eu achei o jogo bem legal , e bem estruturado, . um Um jogo que você tem que montar uma estratégia para conseguir melhorar o seu desempenho. Conforme você entende o estilo do jogo, ele fica mais fácil. Eu transformaria o jogo em uma espécie de campo de batalha e com desafios para completar o jogo, como, por exemplo, questões de história relacionadas às guerras”. (análise que demonstra a compreensão da proposta e que os elementos utilizados para a criação do jogo, como regras e design, atingiram o seu objetivo e podem ser utilizados em projetos educativos)
Gustavo Nobrega dos Santos, 16 anos

“Achei interessante o jogo, pois existe competitividade e interatividade nele. É fácil entender as regras do jogo, mas para vencer é difícil, pois exige estratégia e sorte. O jogo poderia ter casas especiais que habilitassem cartas, e essas cartas poderiam dar vantagens e desvantagens para os jogadores”. (análise que demonstra a compreensão da proposta do jogo e alterações para torná-lo mais desafiador)
Álvaro de Andrade, 17 anos

“Interessante e divertido, um jogo fácil de jogar com regras simples. Inseriria mais dados para agilizar o jogo e, aumentaria o tamanho do caminho a ser percorrido, e incluiria uma temática no tabuleiro e nas peças, como por exemplo, uma floresta no tabuleiro e animais no lugar das peças”.
Bianca Roverso, 16 anos (análise que demonstra a importância do planejamento estético do jogo)

“Eu achei o jogo simples e funcional, que cumpre sua proposta e diverte a todos. Se eu pudesse mudar o jogo, eu acrescentaria uma estrela no tabuleiro, que significa que o jogador estaria salvo na rodada. Isso daria mais emoção ao jogo”. (análise que apresenta a importância do relacionamento afetivo com o jogo, resultado de uma boa mecânica e estética para a jogabilidade)
Jair Meira, 15 anos

Precede esta atividade, como vimos no artigo anterior, a prática do jogar e, conhecimentos fundamentais sobre as dinâmicas que envolvem essa jogabilidade e conceitos relacionados à funcionalidade estética. Essa apreensão dos aspectos conceituais da prático prática do jogar e uma espécie de alfabetização visual extrapolam os limites da área de games, dando ao aluno competências para que possa desenvolver projetos não diretamente relacionados apenas ao mundo dos jogos.


Sérgio Campelo

Sérgio Campelo

Professor, Pedagogo, formado em Letras com Especialização em Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Com 20 anos de experiência no planejamento e docência de cursos de capacitação para o mercado profissional, atualmente é professor na rede privada de ensino. Cursou 'Game Design: Art and Concepts' no California Institute of the Arts (CalArts) e gerencia a Gamecubo, espaço de oficinas e cursos, reflexão e debates sobre práticas inovadoras na área de ensino-aprendizagem.

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