Acolhimento presencial e ensino remoto para alunos com Transtorno do Espectro Autista

As crianças com TEA também precisam ser bem acolhidas no retorno às aulas presenciais. Saiba como fazer isso e como trabalhar no ensino remoto com elas.


Acolhimento Presencial e Ensino Remoto para alunos com Transtorno do Espectro Autista

Antes de mais nada, devemos saber que TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos e que, apesar dessas características, cada indivíduo tem sua especificidade e singularidade, é único.

Ao partir desse pressuposto, faz-se necessário conhecer o aluno, a sua história, fazer um estudo de caso, conversar com os responsáveis e, se possível, ter informações da equipe multidisciplinar que o acompanha, seguir um trabalho colaborativo, escola x família x equipe multidisciplinar, para então traçar as possibilidades de atendimento remoto.

Estudo feito, conhecendo o aluno e as suas potencialidades, se pode traçar um plano para ele, sempre reavaliando os objetivos propostos e as abordagens utilizadas.

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Dicas para o ensino remoto destinado aos alunos com Transtorno do Espectro Autista

  1. Sempre organizar a rotina, estipular horários fixos, buscando não mudar a rotina anterior, organizar o ambiente em seu lar, ter sempre as atividades realizadas no mesmo ambiente, com poucos estímulos visuais para que não desregulem a criança com TEA;
  2. Flexibilizar as atividades, adequando-as ao nível das habilidades que a criança possui;
  3. Começar com o tempo mínimo que a criança tem de atenção, aumentando aos poucos;
  4. Utilizar exemplos visuais, como, por exemplo, criar um quadro de rotina, com imagens. Sempre que possível, utilizar imagens reais;
  5. Manter as atividades consistentes, estruturadas e previsíveis o quanto possível, trará conforto e tranquilidade no ambiente remoto;
  6. Contemplar, nas atividades, a área de interesse pessoal do aluno;
  7. Usar sempre estratégias de ensino baseadas no concreto;
  8. Não focar na quantidade e, sim, na qualidade;
  9. Comunicar a estrutura da atividade com instruções curtas;
  10.  Trabalhar com comunicação alternativa;
  11.  Ter um kit sensorial para possibilitar ao aluno autorregular-se;
  12.  Fazer a mediação por vídeo aula.

Para ensinar, deve-se respeitar a história, as características particulares do indivíduo com TEA.

Saiba mais: Ensino a distância para alunos autistas: dicas de como lidar com as dificuldades!

 

Como os alunos com TEA devem ser acolhidos no retorno das aulas presenciais?

A Pandemia desestabilizou o mundo e afetou, psicologicamente, a sociedade, na qual estão inseridos os alunos com TEA que, mais do que os neurotípicos, foram afetados em suas rotinas tão importantes para o seu desenvolvimento. De repente, tudo parou.

A escola, antes um espaço de convivência social, fechou, as terapias foram suspensas e o convívio com o mundo paralisou.

O mais preocupante, neste momento, é que muitos alunos perderam entes queridos e pode ter sido a primeira experiência com o cenário da morte. Deve – se ter sensibilidade nesse retorno, o qual não deve ser abrupto e nem se exigir além do que cada indivíduo pode oferecer.

Cada um tem uma história de vida. Não é por acaso que somos chamados de indivíduos – somos individuais, singulares, únicos em nossa essência e os alunos com TEA muito mais que os neurotípicos.

No retorno, é necessário respeitar as singularidades e a sua história de vida.  Faz-se necessário o estudo de cada aluno, respeitando as suas especificidades e enfatizando as potencialidades individuais.

É preciso ouvir a família e, muito mais do que antes, ter uma escuta sensível e junto a ela traçar os objetivos para o retorno às aulas presenciais desse alunado.

Pode ser que, para alguns, seja necessária uma readaptação ao ambiente e, para outros, nem seja preciso, pois a saudade daquele espaço acolhedor findou; propiciando o retorno das atividades com os pares.

É preciso, sim, respeitar os tempos de cada um, ter um ambiente acolhedor, divertido e agradável, não se esquecendo das recomendações sanitárias e de segurança.

Os alunos com TEA, em sua maioria, não conseguem utilizar a máscara, têm dificuldades para se adaptar às novas exigências do ambiente que, por vezes, pode ocasionar frustração, ansiedade, irritabilidade e agressividade.

Faz-se necessária a flexibilização do uso da máscara nos alunos com TEA, entretanto, família e escola não podem se esquecer do cuidado de manter as crianças higienizadas e seguras, o máximo possível, contra o vírus da Covid – 19.

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No retorno às aulas presenciais, deverá haver atividades específicas para os alunos TEA?

O aluno com TEA tem especificidades singulares, apresenta características próprias, às quais a escola precisa respeitar e acolher, considerando as suas necessidades individuais.

Os alunos com TEA, independente da pandemia, necessitam de flexibilizações ou, até mesmo, de um Plano de Ensino Individualizado que levem em conta as suas especificidades; dentre elas, as comportamentais, clínicas, sociais, adaptativas e de linguagem.

Sendo assim, é necessário elencar as potencialidades e as necessidades reais do aluno com TEA para que possamos estipular as estratégias de trabalho.

A escola deve articular com a sua equipe, o professor do Atendimento Educacional Especializado, família e equipe multidisciplinar que acompanha o aluno, assegurando que as experiências do dia a dia proporcionem somar as aprendizagens já adquiridas e que o aluno com TEA possa agregar essas novas aprendizagens não só a escola, mas a outros ambientes.

A vivência e a experimentação no ambiente escolar são de suma importância, pois é a partir da relação com o outro que o indivíduo construirá as suas aprendizagens. A escola deve propiciar e permitir momentos e condições para o desenvolvimento e novas aprendizagens.

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Valéria Sales

Valéria Sales

Coordenadora da Educação Especial, Especialista em Autismo, Educação Especial Inclusiva, Gestão Escolar e Atendimento Educacional, Mestre em Diversidade e Inclusão. Autora do livro “Transtorno do Espectro Autista – Oficinas multissensoriais”, publicado pela Wak Editora.

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