6 dicas para promover a empatia no Ensino Híbrido

Conheça algumas estratégias para utilizar durante o Ensino Híbrido e sua aplicação em sala de aula, tendo a empatia como pano de fundo.


6 dicas para promover a empatia no Ensino Híbrido

O que é Empatia

Temos facilidade de reconhecer uma pessoa antipática. É nítido. Igualmente, temos facilidade também de reconhecer uma pessoa simpática. Tanto a antipatia quanto a simpatia são pontos equidistantes do que entendemos como empatia.

E como a empatia pode estabelecer o “tom” de um relacionamento, e especialmente os que acontecem dentro do ambiente escolar, ainda mais quando nos deparamos com a questão do Ensino Híbrido, tão em voga atualmente?

Se olharmos para trás no transcurso dos processos educacionais e das ideias pedagógicas, veremos claramente uma significativa mudança na relação professor-aluno em sala de aula.

Desde Pestalozzi, por exemplo, já se entende a necessidade de uma relação dialógica, baseada na empatia e valorização do aluno como centro do processo educativo (CODEA, 2020), em contraposição à postura da época de alunos sentados, calados e imóveis, e que eram punidos fisicamente ou humilhados em caso de erros ou rebeldias.

Mas, afinal, o que é empatia? Podemos definir a empatia como uma qualidade da personalidade humana, em que há uma “tendência para sentir o que se sentiria caso se estivesse na situação e circunstâncias experimentadas por outra pessoa” (CUNHA, 1997).

Em termos simples, colocar-se no lugar do outro. Em termos neurobiológicos, trata-se da utilização de uma classe especial de neurônios existentes no cérebro, os neurônios-espelho, que nos torna capazes de “entender a intenção alheia a partir a partir da observação de seu comportamento” (CODEA, 2020a, p. 72) e ainda de predizermos o comportamento e as emoções alheias, como base para a empatia e a repulsão que sentimos pelas pessoas.

Também podemos definir a empatia como habilidade intrapessoal, no contexto das inteligências múltiplas (GARDNER, 2015). Juntamente com a escuta, é uma forma de estímulo à cooperação e à resolução de conflitos (GUILLÉN, 2017).

Pessoas empáticas são mais competentes socialmente dos que a não empáticas (Cecconello e Koller, 2000) e, portanto, melhor capazes de estabelecer vínculos positivos, e desenvolvem melhor autoestima e capacidade de resolução de problemas, através de melhor autoeficácia.

 

A empatia no Ensino Híbrido

Se essas qualidades já são desejadas e necessárias para a Educação, se tornam ainda mais necessárias quando falamos de Ensino Híbrido. Em artigo recente, aqui mesmo no Planneta Educação (CODEA, 2021), salientei que os modelos de Ensino Híbrido pressupõem o retorno total às atividades presenciais, e o que está sendo feito pela maioria dos sistemas de ensino é uma espécie de Educação Híbrida, em que se alternam atividades presenciais e remotas.

Assim, em se tratando especificamente da adoção de métodos de Ensino Híbrido, como a sala de aula invertida, por exemplo, entendo que a empatia que se estabelece entre professor e alunos é fundamental para o sucesso da estratégia. Explico: a adoção de métodos de Ensino Híbrido estabelece a necessidade de uma mudança de paradigma em relação ao modelo tradicional de ensino, com o professor no centro do processo. Quando colocamos o aluno como centro e o professor como um coordenador e orientador do processo educativo, necessitamos de uma adaptação cultural, com a inversão de papeis e a adoção de novos comportamentos.

A empatia é fundamental neste processo, pois há a necessidade de uma aproximação afetiva que proporcione a necessária proteção aos alunos durante o processo de adaptação à nova estratégia.

As dúvidas, ansiedades e angústias potencialmente geradas pela mudança de paradigma poderão, desta forma, serem amenizadas pela presença afetuosa do professor e, claro, pela aplicação de um planejamento cuidadosamente feito, em conjunto com a gestão da Escola.

 

A empatia no Fazer Pedagógico

Já foi dito (CODEA, 2019, p. 135) que, no paradigma tradicional da Educação, “o aluno é um ser receptor, e não emissor, em que é um reprodutor de ‘verdades’ e não um criador de conhecimento. Ele, portanto, não está apto, a priori, para exercer essa mudança paradigmática em si.

Claramente, evidenciei que as metodologias ativas de aprendizagem têm um importante papel nessa árdua tarefa de um novo paradigma educacional, baseado na Neurodidática e, também, associado à figura docente como elemento incentivador e orientador deste novo processo, baseado no Ensino Híbrido.

Desta forma, podemos pensar em algumas estratégias em relação ao Ensino Híbrido e sua aplicação em sala de aula, tendo a empatia como pano de fundo. Lembrando que pessoas empáticas são mais competentes socialmente, isso pode significar uma sala de aula mais colaborativa e com um objetivo comum.

1 – EXPLIQUE CLARAMENTE – o primeiro passo para a adoção de uma nova estratégia metodológica é a explicação clara, concisa e segura, ressaltando as potenciais aquisições positivas e a maior facilidade de aprendizagem, mas também evidenciando a necessidade de maior participação ativa e compromissada por parte do aluno.

2 – ESCUTE DE FORMA SENSÍVEL – escutar atentamente, de forma legítima e sem preconceitos seus alunos é a melhor forma de situar-se empaticamente a eles. O real interesse em suas vidas e seus problemas faz a diferença na crença no sucesso da mudança e na perspectiva de conseguirem vencer suas próprias dificuldades.

3 – INCENTIVE – ao surgirem os primeiros sinais de angústias e ansiedades em relação à nova estratégia, minimize os problemas como ocorrência natural do processo e incentive os alunos a continuarem na empreitada. Esclareça que os eventuais problemas os fortalecerão como solucionadores de problemas e que se sentirão mais seguros à medida que insistirem e avançarem, corrigindo os eventuais tropeços, comuns na caminhada.

4 – COLOQUE-SE COMO ELEMENTO DE SUPORTE – ressalte para os alunos que sempre estará ao lado deles para quaisquer dificuldades, e que juntos todos poderão obter o sucesso desejado. E, efetivamente, aja desta forma, construindo uma relação de segurança e apoio.

5 – INCENTIVE A EMPATIA – use os alunos que estiverem dominando melhor a metodologia e tendo maior sucesso como auxiliares para aqueles que estiverem tendo maior dificuldade. Isso criará um clima empático entre os próprios alunos, e sua linguagem e forma particulares de comunicação poderão fazer a diferença na melhoria de rendimento geral, com benefícios óbvios para todos os envolvidos.

6 – TENHA BOM HUMOR – ter bom humor é um atributo básico para gerar empatia. Juntamente com o conhecimento, gera respeito e admiração. Claro que nem sempre estamos bem, nosso humor é flutuante e sujeito às variáveis internas e externas que incidem sobre nós. Mas, na medida do possível, ter bom humor aproxima as pessoas, e irá aproximar você de seus alunos.

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Referências

CECCONELLO, Alessandra Marques; KOLLER, Silvia Helena. Competência social e empatia: um estudo sobre resiliência com crianças em situação de pobreza. Estudos de Psicologia, 5(1), pp. 717-913, 2000.

CODEA, André. O Ensino Híbrido no Contexto da Pandemia. Portal Planneta Educação. Disponível em: . Publicado em: 21/04/2021.

CODEA, André. O aluno como centro do processo educativo. In: Revista Presença Pedagógica, 169, pp. 26-30, outubro de 2020.

CODEA, André. Imitação codificada. In: Revista Psique, nº 168, pp. 67-73, 2020a.

CODEA, André Luiz de Britto Teles. Neurodidática: fundamentos e princípios. Rio de Janeiro: Editora WAK, 2019.

CUNHA, Antonio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa (2.ed.). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

GARDNER, Howard. As Inteligências Múltiplas. Revista Neuroeducação, nº 3, pp. 28-35, 2015.

GUILLÉN, Jesús C. Neuroeducación en el aula: de la teoría a la práctica. Madrid, España, 2017.


André Codea

André Codea

Palestrante e Professor nas áreas de Neurociência Pedagógica e Docência do Ensino Fundamental e Médio.

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