A importância da ludicidade: brincar para melhor aprender

Brincar é a atividade mais importante da infância. Por meio de jogos e brincadeiras as crianças aprendem a se relacionar com o mundo a sua volta.


A importância da ludicidade: brincar para melhor aprender

Com preocupação percebo que nossas crianças estão perdendo o espaço de brincar. Cada vez mais a ludicidade se afasta do cotidiano infantil. As crianças recebem estímulos para que, desde cedo, se integrem ao mundo dos adultos.

Em geral, a maioria dos professores que trabalham com a educação de crianças pequenas ao redor do mundo concorda que brincar é importante para o desenvolvimento infantil, a aprendizagem e o bem-estar. Porém, aqueles que trabalham com crianças mais velhas, as autoridades ou o público em geral, não compreendem o brincar para aprender, desconhecem o quanto a brincadeira é essencial no desenvolvimento do ser humano, independente da idade.

Ao ingressarem no Ensino Fundamental, as crianças enfrentam grande pressão por parte dos professores, os quais exigem um comportamento que não condiz com a natureza infantil. Impõem-se ao pequeno ser uma postura, maturidade e compreensão que muitos adultos não possuem.

Lembro-me da poesia de Drummond: “Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem."

Realmente, há necessidade de se ir além dos exercícios de lápis e papel desprezando ou negligenciando o brincar. É urgente resgatar o lúdico no processo ensino-aprendizagem. Para tanto, faz-se necessário informar sua importância.

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Por que o brincar é importante?

Brincar é a atividade mais importante da infância. Por meio de jogos e brincadeiras as crianças aprendem a se relacionar com o mundo a sua volta. O brincar é fenômeno universal. O jogo está presente em todas as formas de organização social. E, infelizmente, nossas crianças hoje passam mais tempo em frente à TV e com computadores, vídeo games e celulares.

É claro que através dos meios de comunicação e aparelhos eletrônicos também podemos nos divertir, jogar, brincar e aprender. Todavia, é importante ressaltar que por meio dos jogos e brincadeiras as crianças adquirem e testam novos conhecimentos, sendo essencial que isso ocorra através do relacionamento presencial com outras crianças e, também, com adultos que lhe são caros, principalmente seus pais, familiares, cuidadores e professores. Assim, descobrem o mundo, preparam-se para a vida e se mantém saudáveis e seguras.

Através das brincadeiras as crianças representam situações que observam no seu cotidiano, expressam suas angústias, seus medos, suas necessidades, seus prazeres, suas fantasias.

Reparamos nas escolas as crianças imitando em suas brincadeiras as vivências de seus lares e, enquanto pais, igualmente percebemos a criança imitando seus professores enquanto brincam.

Por meio das brincadeiras, as crianças costumam manifestar o que dificilmente expressariam por meio de palavras; elas buscam interpretar e sentir determinadas ações humanas, aprendem vivenciando algo sempre novo, mas não distante da realidade.

O brincar é um espaço cujo aspecto de simulação e imaginação oferece uma oportunidade educativa única, ou seja, é uma situação privilegiada de aprendizagem espontânea, se não a forma mais completa de aprender e educar.

Instrumentos de convívio social, as brincadeiras proporcionam condições ideais para que meninos e meninas possam se tornar adultos equilibrados e mais felizes.

As crianças precisam tanto do brincar livre, das brincadeiras de iniciativa própria, quanto dos desafios e das intervenções dos adultos. Um direcionamento adequado pode expandir seu modo de brincar, fazendo-as travar diálogos por meio de perguntas, de sondagens, e assim, levando-as à reflexão sobre seu próprio aprendizado através do lúdico. Deste modo, é possível ampliar a compreensão, formando novos entendimentos.

As brincadeiras deverão ser propostas seguindo um enfoque baseado na teoria do desenvolvimento infantil, ou seja, respeitando as características de cada faixa etária e levando em consideração que cada ser é único desde que nasceu, logo, tem seu ritmo e suas preferências.

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Como a sua escola estimula a ludicidade e o brincar?

As experiências lúdicas direcionadas nas escolas devem promover o raciocínio, a resolução de problemas e a exploração, envolvendo certamente prazer e divertimento. Nesse sentido, é importante saber o que as crianças pensam enquanto brincam, não apenas na perspectiva do prazer, mas visando os conteúdos e justificativas do que fazem brincando.

Nas escolas as crianças devem ser estimuladas a brincar, pois é ali, naquele ambiente afetivo e acolhedor, no qual reina a ludicidade, que também reina a liberdade de criação que tanto facilita a aprendizagem. Todavia, percebemos a resistência, a brincadeira ainda é vista por muitos como algo inútil.

Acredito na importância do brincar como um território de aprendizagem. Além de ser uma maneira prazerosa de aprender, proporciona algo fundamental ao ser humano: a construção de sua independência e liberdade.

O brincar nos acompanha, assim como as melhores emoções: a alegria e o amor, sendo um refúgio onde se abrigam os fundamentos do humano durante as crises da racionalidade.

Desperdiça-se o potencial imaginativo da brincadeira com a qual a criança está envolvida e, com ele, um trabalho educativo capaz de promover diferentes manifestações de corporeidade, singularmente criadoras.

Há uma preocupação em manter os alunos ocupados com um número excessivo de atividades e com o processo de disciplinarização do comportamento que só empobrece o desenvolvimento das habilidades cognitivas e socioemocionais.

Não é estranho ao entrarmos em uma escola percebermos que as crianças permanecem estáticas durante horas em classes escolares, tendo o direito de brincar negado. A brincadeira ainda é encarada como um passatempo inconsequente, como se não fosse possível brincar e aprender simultaneamente.

No mês de outubro é comum que as escolas ofereçam uma semana de brincadeiras em homenagem ao dia das crianças, mas no restante do ano letivo desvalorizam a atividade espontânea e legítima da criança. Quando o aprender desvincula-se do brincar, torna-se uma obrigação, um processo desagradável.

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Não devemos negar a fantasia e furtar o direito de brincar das crianças!

O brincar é algo inerente da existência infantil, é a maneira que a criança tem de lidar com a realidade que a cerca. Ao brincar, as crianças constroem representações tão reais quanto é o trabalho intelectual para os adultos. Brincar faz parte de sua vida de forma intrínseca. Assim, a escola é um dos poucos lugares onde a criança ainda pode vir a ter espaço para construir o próprio pensamento e dominar suas ações de maneira espontânea.

Frequentemente observo que os adultos têm dificuldades em se envolver e ouvir as crianças. Acabam subestimando-as e silenciando-as. É essencial oferecermos condições às crianças para que se expressem, ouvindo-as e aceitando o que dizem. Tal exercício possibilita a sua compreensão.

Que possamos criar ambientes de faz de conta, ludicidade, convivência, diálogo e afetividade, onde prevaleça o prazer em aprender.

Garantir o direito de brincar é saber que as crianças são protagonistas, capazes de (re)criar cultura, gerar conhecimento e não ser apenas suas receptoras.

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Paty Fonte

Paty Fonte

Especialista em Educação Infantil e Pedagogia de Projetos. Consultora educacional. Entre os livros lançados estão “Competências Socioemocionais na Escola”, publicado pela Wak Editora e Coautora do livro “Socorro! Meus filhos estão crescendo”, publicado pela Editora Nelpa.

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