Depressão no ambiente escolar

Depressão: a ameaça invisível


Menino sozinho, triste, sentado em uma cadeira no parquinho com o olhar cabisbaixo

Depressão é uma doença psiquiátrica, crônica e recorrente, que altera o humor e costuma estar associada com baixa autoestima e culpa, e normalmente traz consigo distúrbios do apetite (comer demais, ou praticamente nada), e de sono (dormir demais, ou quase nada), entretanto um dos aspectos mais nocivos é a falta de perspectivas, um sentimento de ausência de futuro, de impossibilidade de solução dos problemas, que muitas vezes leva até ao suicídio.

Assim como o alcoolismo, é uma das doenças menos compreendidas como tal; atribui-se ao doente a culpa por seu mal, considerando-a mera manifestação de preguiça, covardia, irresponsabilidade ou fraqueza. Muitos deprimidos tentam esconder sua condição ou não a entendem, e as pessoas próximas não percebem que se trata de enfermidade, algumas vezes até que seja tarde demais.

A depressão atinge hoje, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 350 milhões de pessoas no mundo, e diversos países fazem grandes investimentos em pesquisa e tratamento. Embora mais presente na faixa dos 25 aos 45 anos, e seja mais comum em mulheres que em homens, provavelmente pelas características hormonais, é importante lembrar que acomete idoso e criança igualmente, e que o auxílio de pais e familiares, através de observações mais rotineiras, costuma ser benéfica para ampliar a ação escolar quanto à depressão infantil e juvenil.

Tem sido frequente professores detectarem alunos envoltos em melancolia, deflagrada por separação dos pais, dificuldades de aprendizagem, sentimentos de desadaptação ao grupo, sexualidade, bullying, morte ou doença de entes queridos. Para os docentes, que raramente tem qualificação específica para enfrentar esse tipo de problema, a questão é extremamente complicada, é difícil perceber a diferença entre uma tristeza transitória, a que todos estão sujeitos, e a patológica. As coordenações pedagógicas de muitas escolas podem identificar e encaminhar para tratamento, mas necessitam, ainda assim, participação dos professores e familiares para agir com eficiência.

A família conhece as reações infantis ou juvenis em cada etapa da vida ou em situações estressantes, podendo com mais facilidade detectar um momento delicado e o tempo de reação. Genericamente, fala-se de “duas ou três semanas”, porém isso dependerá muito de qual é a situação enfrentada, e das características pessoais, pois o tempo de retorno para as condições reativas normais depende da personalidade e da possibilidade de compartilhamento das experiências vividas.

Atualmente cultuamos a felicidade e o sucesso, redes sociais mostram imagens de pessoas sempre sorridentes e vitoriosas, declarando satisfação com a totalidade de suas vidas e relacionamentos; no entanto, a realidade não é tão bonita e perfeita, e isso pode gerar frustração em quem sente que não corresponde à que parece ser a condição permanente de todos os demais, aprofundando estados depressivos.

E é importante lembrar que esse mal é tratável, seja de forma psicoterápica ou medicamentosa com supervisão médica, e que a cooperação entre família e escola pode detectar o problema a tempo de melhores resultados.


Wanda Camargo

Wanda Camargo

Educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil.

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