Reflexões sobre o Dia da Consciência Negra na atualidade

Entenda mais sobre essa importante data e os contextos que a cercam.


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Vivemos em um país em que a diversidade e a pluralidade compõem a nossa identidade enquanto brasileiros e brasileiras. No Brasil em sua esfera territorial, nos deparamos com diversas religiões, crenças, raças, etnias, orientações sexuais, gêneros, intersexualidades.

Falar sobre a população que habita as terras brasileiras, desde os grandes centros urbanos até o interior das favelas, dos becos e vielas, expressa o reconhecimento que a diversidade humana e suas características resgatam a pluralidade de quem somos. Além do mais trazer para esse bojo de discussão o aspecto da diferença, como um dos fatores necessários, interliga os sentidos que nos constituem como seres humanos.

Cabe de imediato dizer que não somos todos iguais, contudo possuímos uma história em comum perante as transformações existentes da espécie humana (filogênese).

Somos indivíduos com limites e particularidades, fragmentos e totalidades que complementam a formação do nosso ser (ontogênese), entre a subjetividade e a objetividade.

Ou seja, entre os sorrisos e as lágrimas, as invencionices e os afetos, as emoções e as razões. Entre o corpo e o espírito, o pensar e o sentir, somos seres complexos, plurais e singulares, marcados por diversos contextos sociais, históricos e culturais e que assim forjam a nossa identidade (sociogênese).   

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A individualidade e a luta por igualdade

Dentro dessas circunstâncias sobre o desenvolvimento da espécie humana, apesar de sermos indivíduos diferentes (singulares), e, estarmos vinculados a grupos sociais (como a família, a escola, o mundo do trabalho e entre outros), a individualidade faz parte da nossa existência e está relacionada a maneira como lutamos por igualdade. Lutar por igualdade significa reconhecer as nossas diferenças e a partir delas ressignificar a vida social, política, cultural e educacional, de modo que ninguém se sinta excluído de qualquer espaço e/ou vivência.

Certamente, já ouvimos a seguinte frase “Ninguém é igual a ninguém”. Cabe salientar que concordamos com a mesma, no entanto, a partir dela reafirmamos: “Ninguém é igual a ninguém, mas devemos respeitar as diferenças”.

Até porque por meio da diferença transformamos o mundo e construímos ele de uma forma mais plural, rompendo com qualquer barreira e normatização, que, pouco contribuem para os processos de mudanças de realidades direcionados com os princípios que culminam em inclusão levantados por Booth e Ainscow (2012) em suas pesquisas internacionais. São eles: participação, cooperação, igualdade, comunidade, respeito pela diversidade, e sustentabilidade.

De um lado quando falamos sobre inclusão e seus respectivos princípios citados no parágrafo acima, é possível fazer uma breve menção ao chão da sala de aula, no qual professores e estudantes lidam diariamente com a diferença, pois convivem no espaço público com diversos sujeitos que possuem variados costumes, hábitos, crenças, valores, em que as decisões pedagógicas, educativas perpassam as demandas coletivas e individuais.

São inúmeros esforços e um olhar atencioso, respeitoso com a finalidade de unir todos, sem perder a sensibilidade de cada um. Por outro lado, estes princípios entorno de uma educação emancipadora integram pautas urgentes como: Educação Antirracista, Quilombola, Indígena, LGBTQIA+, Feminismos, em um propósito de colaborar para a transformação de todos e todas e não somente alguns. 

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O Dia da Consciência Negra na atualidade

É importante ressaltar que tomamos como destaque à diferença como elemento fundamental para nos desenvolvermos enquanto sujeitos humanos, diversas pesquisas já sinalizaram esse alcance. Contudo, nos dias atuais, identificamos pessoas que enfatizam em seus discursos e ações cotidianas: “Pra quê... dia da Consciência Negra?!”.

Diante dessa frase, sobressaltam tamanha falta de conhecimento, de respeito, reconhecimento histórico, político e cultural da abrangência e do valor do que seja o Dia da Consciência Negra. Alguns enxergam a demarcação desta data, como algo esvaziado de sentidos, mas na verdade se faz necessário para que reflitamos sobre a inserção do negro na sociedade para assim revisarmos as exclusões existentes, apontando para mais acessos, permanências e acolhimentos daqueles que foram (ou são) excluídos.

Até porque, quem tinha acesso aos bens e serviços como educação, saúde, esporte e lazer? Quantos negros viviam livres? Quem tinha o poder de decisão da sua vida e as escolhas pessoais?

O dia 20, coincide com à morte de Zumbi dos Palmares (1695). Um dos líderes negros que lutou pela libertação do seu povo contra o sistema escravista. Este dia, põem em debate em sociedade as questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira.

Logo, essa emblemática data, ressalta à diferença, mas como afirmação de luta, de movimento, de afetos, de novos (re)começos, de reivindicações e de questionaentos.

Temáticas estas que devem ser discutidas no decorrer de qualquer período do ano, com ações e práticas pedagógicas que culminam em olhares inclusivos, no qual a diferença seja balizadora de novas aprendizagens entre seres humanos. Buscando combater a não participação e o desrespeito pela diversidade.

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O que precisamos entender sobre educação antirracista?

Sobre esse aspecto, pensando na diferença como potência, questionamos: o que precisamos entender sobre educação antirracista? O que precisamos para promover uma atmosfera escolar e um cotidiano mais plural e acolhedor em que nossas crianças, adolescentes e jovens continuam sonhando por um mundo que respeite a sua essência, a sua cor, a sua diversidade?

O primeiro passo é sempre nos informar sobre o que é o racismo. O dia 20, é um caminho para introduzir este debate e que deve ser contínuo em qualquer proposta pedagógica anual. Afinal, se há dúvidas, as perguntas devem fazer parte da prática educativa de professores, educadores e qualquer sujeito ensinante e aprendente.

Já no segundo passo precisamos duvidar do que nos apresenta como natural. A exemplo disso, trago a seguinte problematização:  É comum ter uma sala de aula com mais pessoas brancas do que pessoas negras?  Pense, pesquise e reflita!

Outro fato importante é enxergar a negritude como potência, representatividade, diversidade, até porque se na sociedade brasileira habita humanos plurais, pessoas negras devem se sentir representadas em todos os espaços e instituições. Os invisíveis devem ser visíveis! Diante de uma educação antirracista as pessoas, ditas como brancas, precisam reconhecer os respectivos privilégios da branquitude que acumularam ao longo da vida, se engajando na luta em prol de uma sociedade em que todos têm o direito de existência e participação. Isto é um dos princípios de inclusão, ressaltados anteriormente

E, por último não menos importante, é preciso questionar a cultura que consumimos e desse jeito, também, també, combateremos a violência racial tão presente em nosso país.

No entanto, ainda sobre a indagação “o que precisamos entender sobre educação antirracista?”. Assumimos que esse debate deve ser central, sair das margens e fazer parte da vida, dos cotidianos escolares e fora deles, com a finalidade de enxergar a pluralidade, a diversidade que habita a subjetividade humana e marcam o contexto social, pois os povos negros, afro-brasileiros, favelados são maioria e jamais minoria.

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Referências:

AGUIAR, J. A arte de esperança. Jornal O Dia, 25 de novembro de 2020. Acesso: 25/11/2021. Disponível em: https://odia.ig.com.br/opiniao/2020/11/6033926-jonathan-aguiar-a-arte-de-esperancar.html.

BOOTH, T.; AINSCOW, M. Index para a inclusão. Desenvolvendo a aprendizagem e a participação na escola. Tradução de Mônica Pereira dos Santos. UFRJ: LAPEADE, 2012.


Jonathan Aguiar

Jonathan Aguiar

Doutorando e Mestre em Educação pela UFRJ
Autor dos livros “Os Excluídos podem Sonhar, Brincar e Criar: por uma educação que transforma humanos” e “Educação Lúdico e Favela” publicados pela Wak Editora.

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