Atividades de Gamificação na Educação Infantil que todo educador deve conhecer!

A Gamificação na Educação Infantil apresenta uma série de desafios, mas ao mesmo tempo é uma possibilidade de oferecer atividades fora do ambiente presencial e com a participação da família.


Atividades de Gamificação na Educação Infantil que todo educador deve conhecer!

Se a reinvenção das metodologias e processos educativos foi – e continua sendo – uma tônica presente nos mais diversos sistemas de ensino por conta da pandemia do Covid-19, e considerando que esta reinvenção não foi pacífica e tranquila para muitas escolas, docentes, alunos e responsáveis, creio que podemos dizer que foi, em especial para a Educação Infantil, um enorme desafio.

Afinal, como reproduzir – ou reinventar –toda a riqueza e dramaticidade presentes no ensino presencial de forma on-line, conseguindo atrair e manter a atenção dos pequenos alunos, que necessitam da colaboração dos responsáveis?

De fato, realizar as experimentações e brincadeiras típicas da Educação Infantil em um ambiente on-line, sem interação física, e com a necessidade de interações virtuais rápidas e atraentes, é um desafio gigantesco.

Isto porque, fora as recomendações médicas da Sociedade Brasileira de Pediatria de não expor crianças menores de dois anos a telas (nem de forma passiva) e as 2 a 5 anos só serem expostas por no máximo uma hora por dia, com supervisão dos adultos, ainda há a questão da dinâmica infantil ser altamente dispersiva em relação a telas e mesmo nas atividades em geral.

Sem contar que estar em casa representa uma dinâmica totalmente diferente para a criança do que estar na escola, e que para os responsáveis a interação com a criança também pode ser um desafio.

Além de questões que envolvem o acesso à internet, disponível e de qualidade (uma realidade não tão presente para as classes economicamente menos favorecidas), as atividades virtuais, ou mesmo aquelas que envolvem “kits pedagógicos” entregues pela escola, envolvem a participação dos responsáveis pelo aluno, o que também pode criar empecilhos devido a fatores como trabalho, pouca disponibilidade de tempo, pouca interação com ambientes digitais, pouca disponibilidade emocional para a criança, entre outros fatores.

Portanto, um replanejamento foi necessário para que pudesse haver algum tipo de interação remota de qualidade, envolvendo os responsáveis, e que tenha tido alguma possibilidade de aceitação e sucesso.

Neste sentido é que a Gamificação surge como uma alternativa atraente para o trabalho com a Educação Infantil.

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Cuidados na gamificação para a Educação Infantil

A Gamificação é uma proposta metodológica que envolve o uso da dinâmica de jogos em situações de não-jogo (como em uma aprendizagem de um conceito, por exemplo), e que é diferente da Aprendizagem Baseada em Games, que utiliza um jogo para criar ou otimizar uma experiência de aprendizagem.

A Gamificação na Educação Infantil apresenta uma série de desafios, ao mesmo tempo que é uma possibilidade de oferecer atividades para serem feitas pelas crianças fora do ambiente presencial, e juntamente com a família. Para que as propostas tenham sucesso, alguns cuidados são necessários:

  • Atividades Curtas – a capacidade de manutenção da atenção da criança pequena é bem limitada, em se torna mais limitada ainda no ambiente virtual. Por este motivo, as atividades devem ser bem curtas, e mesmo as mais elaboradas e que exijam um tempo maior, não devem passar de 30 minutos de duração.
  • Mescle Atividades em Vídeo com Atividades com os Responsáveis – nas videoaulas gravadas, as crianças assistem passivamente, e quanto mais divertido e dinâmico, melhor. Atividades com fantoches, o professor interpretando um personagem, são algumas ideias que podem atrair e manter a atenção dos alunos. Porém, use este recurso alternando com as atividades entregues aos pais ou com a aula remota (ao vivo), para que o excesso de atividades de vídeo passivos não façam a criança perder o interesse pelo recurso.
  • Dê espaço para que as Crianças Interajam, mesmo virtualmente – a interação é a marca da Educação Infantil. Então, especialmente se a aula é remota, proporcione atividades em que as crianças interajam entre si, o que aumenta o interesse e sustenta a atenção.
  • Seja Simples e Divertido – ao invés de propor atividades complexas ou rebuscadas, especialmente no início, proponha atividades simples e divertidas, preferencialmente que as crianças já conheçam. Trabalhar com o conhecido será muito mais fácil para as crianças, e ajudará aos responsáveis também na execução das tarefas.
  • Envolva e Converse com a Família – a família é fundamental para a elaboração de suas atividades. Não somente com informações sobre o que o aluno gosta ou não, mas também como elemento ativo no processo educacional online. A parceria com a família é fundamental para o sucesso de sua aula.
  • Treine os Adultos – os responsáveis ou quem estiver com seu aluno não sabe, muitas vezes, como ajudar. Portanto, quando orientar as atividades, direcione a orientação para a criança, claro, mas também o faça para os adultos. Afinal, são eles quem ficarão como seus “auxiliares” na condução das tarefas.
  • Alterne Atividades On-line com as Off-lines – atividades online podem ser muito atrativas no campo da Gamificação. Porém, não são acessíveis a todos. Portanto, gamifique suas atividades, tornando-as divertidas, mesmo naquelas que são entregues ao responsável para que aplique junto ao seu aluno. Fazer sua atividade como se fosse um jogo vai torná-la muito mais interessante. Crie uma “moeda” própria, e recompense seus alunos por fazerem as atividades, estimulando uma competição sadia.
  • Mantenha a Frequência, diminua a Quantidade – a frequência das atividades pode ser a mesma do ensino presencial, mas a quantidade não. O aluno não ficará horas à disposição do professor, sequer terá ânimo para isso. Se as atividades devem ser curtas, também devem ser em pequena quantidade.

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Atividades, conteúdos e materiais para a gamificação na Educação Infantil

O conteúdo a ser trabalhado não necessariamente difere muito daquele tradicionalmente utilizado na Educação Infantil. Apenas terá que ser adaptado para o ambiente familiar e para a Gamificação.

Diversas sugestões de atividades podem ser utilizadas, como o uso de uma “Pista de Corrida”, desenhada em papel ou feita no espaço residencial, com diversos participantes avançando na pista conforme concluem tarefas, da “Barra de Progresso Visual”, em que o avanço de cada um nas tarefas concluídas é mostrado, ou mesmo a “Contação de Histórias ou Storytelling”, com as narrativas sendo contadas a partir de um enredo previamente montado.

Seguem mais alguns exemplos:

  • Corrida Maluca – usando garrafas Pet, peça para o responsável montar uma minipista dentro de casa ou em algum espaço próximo. Oriente colocar em alguns pontos papeis com atividades simples a serem realizadas (dar três pulos, cantar parte de uma música, fazer um desenho) para que se possa prosseguir na corrida. Se houver espaço e material suficiente, podem ser feitas duas pistas, para o aluno competir com o responsável. Se for possível, peça para filmar, para todos verem depois.
  • Conhecendo seu Pet – se houver um pet em casa, ou de algum parente ou vizinho, faça uma pesquisa online sobre ele, levantando características interessantes (nome, caraterísticas próprias, formas de cuidar, alimentação, brincadeiras) e liste esse conteúdo como uma atividade a ser entregue. Proponha que a criança brinque com o pet em uma atividade que possa ter uma recompensa, como dar um petisco cada vez que o pet realizar algo desejado. Também pode ser filmado, especialmente na interação da criança com o pet.
  • Caixa de Surpresas – peça para o responsável conseguir duas caixas médias iguais. A disputa será inicialmente decorar a caixa com temas de gosto próprio do aluno e do responsável. Depois, poderão escolher dez objetos para colocar dentro da caixa (um não conta para o outro). Ao final, com a Caixa de Surpresas pronta, um dá a caixa para o outro, para que se descubra que surpresas foram escolhidas. Se houver mais pessoas na família querendo participar, podem ser conseguidas novas caixas ou fazerem a tarefa em duplas.
  • Fazendo Personagens – a partir de personagens previamente selecionados, peça para o responsável e o aluno montarem um teatrinho. Podem ser aproveitadas datas comemorativas, como o Dia do Meio Ambiente, Dia da Proteção Animal, ou o Combate ao Racismo. Peça para se caracterizarem e montarem um pequeno texto. Você pode ir tirando dúvidas ou dando sugestões. Ao final, peça pra filmarem a atividade.
  • Leitura de Histórias – escolha um dos livros infantis existentes ou fornecidos pela escola, e peça para o responsável ler para o aluno, como se estivesse contando uma história. Depois, estimule o aluno a produzir um desenho do livro, que retrate a parte que ele mais gostou.

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Referências:

AIX SISTEMAS. Educação infantil a distância: isso é possível mesmo? Disponível em: . Acesso em: 21/07/2021. Publicado em: 26/05/2020.

CECÍLIO, Camila. Planos de atividade para trabalhar Educação Infantil a distância. Revista Nova Escola. Disponível em: . Acesso em: 21/07/2021. Publicado em: 13/04/2020.

CLIP ESCOLA. 10 atividades para fazer com os pequenos nas aulas de educação infantil a distância. Disponível em: . Acesso em: 22/07/2021. Publicado em: 04/05/2020.

RODRIGUES, Dayanne. Como utilizar gamificação na educação online para engajar alunos. Disponível em: . Acesso em: 21/07/2021. Atualizado em: 29/01/2021.

SAE DIGITAL. Orientações para professores de Educação Infantil no período da Quarentena. Disponível em: . Acesso em: 22/07/2021.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de Orientação #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE. Grupo de Saúde na Era Digital. Dezembro de 2019.

TARGET MULTIMÍDIA. Os 5 Mais Populares Recursos de Gamificação (com exemplos). Disponível em: . Acesso em: 22/07/2021.

VERDÉLIO, Andreia. Pais e educadores discutem estratégia de ensino infantil em casa. Disponível em: . Acesso em: 21/07/2021. Publicado em: 20/04/2020.


André Codea

André Codea

André Codea é palestrante e professor de Neurociência Pedagógica. Mestre em Ciência da Motricidade Humana, pós-graduado em Gestão Escolar. Autor do livro “Neurodidática: fundamentos e princípios”.

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