Amnésia digital

Aprenda um novo idioma e mantenha o cérebro ativo


Imagem de uma mulher pensando em frente ao computador

Quem nunca tentou lembrar o nome de um ator ou o título de um livro e não hesitou em pesquisar pela internet, ao invés de ‘forçar’ a memória, que atire a primeira pedra. O uso de recursos tecnológicos já virou uma extensão do nosso corpo. Vivemos hoje como nunca havíamos imaginado há 100 anos. Os avanços tecnológicos vêm transformando nossa relação com o mundo nas mais diversas esferas. No setor educacional, por exemplo, temos, de um lado, a Educação 4.0, com alunos do século XXI que nasceram no mundo digital e, do outro, professores que se esforçam para dominar o uso das tecnologias que são ferramentas no processo de ensino e aprendizagem deste novo milênio. Na Indústria 4.0, deixamos o manual por uma produção automatizada. Internet das Coisas, realidade aumentada, veículos autônomos, customização da produção, modelos produtivos informatizados. Não sabe o que é isso? Pergunte ao Google. Estamos vivendo transformações na forma como aprendemos, ensinamos, trabalhamos e até como utilizamos nossa capacidade de atenção e memorização.

Segundo artigo do professor de física de Harvard, John Edward Huth, publicado no The New York Times em 2013, a confiança que depositamos na tecnologia - além do uso excessivo dela - faz com que isolemos as informações sem ajustá-las a um sistema cognitivo mais amplo. Assim, o acesso a todo tipo de informação, a qualquer momento, faz com que a parte do cérebro onde armazenamos nossas memórias não seja tão utilizada como era no passado, quando não tínhamos acesso à internet e a tantos recursos de pesquisa. Por que deveríamos memorizar informações que estão a um clique? O perigo é que ao utilizarmos a internet com esse fim, impedimos que nosso cérebro exercite o campo da memória e, por consequência, não transferimos essas informações para o campo da memória de longo prazo.

O escritor norte-americano Nicholas G. Carr destaca que “a profundidade da nossa inteligência depende da nossa capacidade de transferir informações da memória de trabalho, do bloco de consciência, para a memória de longo prazo, o sistema de arquivamento da mente”. O autor de “The Shallows: o que a internet está fazendo com nosso cérebro” escreveu na revista Wired em 2010: “Quando fatos e experiências entram em nossa memória de longo prazo, somos capazes de inseri-los nas ideias complexas que dão riqueza ao nosso pensamento”.

Podemos comparar nosso cérebro a um músculo e, para mantê-lo saudável, precisamos exercitá-lo. O advento do “pergunte ao Google” fez com que o uso da nossa memória ficasse em segundo plano e, se nos descuidarmos, estaremos contribuindo para que essa parte do cérebro, responsável pela memória, fique atrofiada – o que é uma das causas do Mal de Alzheimer. Sim, é assustador, mas aqui vai uma sugestão para evitar que isso aconteça: aprenda outro idioma!

Isso mesmo. Aprender uma nova língua aumenta o poder e a capacidade do córtex – que é a parte do cérebro responsável pela memória, linguagem e pensamento abstrato – de armazenar conteúdo e processar outro idioma. De acordo com estudos feitos por Johan Martensson, pesquisador da Universidade de Lund, na Suécia, ao aprender um novo idioma são criadas sinapses para fixar o novo vocabulário, estruturas gramaticais e até sons, o que estimula regiões do cérebro responsáveis pela memorização.

O processo de aprendizado de um novo idioma envolve ainda muitos outros benefícios. Para nos comunicarmos em outro idioma, é necessário conectar novas estruturas gramaticais e vocabulário. Esse processo aumenta o poder de criatividade, potencializa a capacidade de concentração e desenvolve habilidades de comunicação. Além disso, a necessidade de estabelecer conexões entre a língua materna e a língua alvo faz com que nos tornemos melhores em ambas. Saber um novo idioma nos proporciona conhecer outras partes do mundo e culturas diferentes, facilita a vida de quem ama viajar e, de “quebra”, se conquista um grande diferencial na hora de ocupar vagas no mercado de trabalho.

Que tal evitar um bug no cérebro aprendendo uma segunda língua? Saber um novo idioma vai possibilitar que você expanda sua memória sem precisar comprar mais espaço na nuvem!


Carmelita Fleury Croce Barabasz

Carmelita Fleury Croce Barabasz

Consultora Educacional na área de ensino da língua inglesa na Planneta Educação, uma empresa do grupo Vitae Brasil. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, já ministrou aulas de inglês em diversas escolas de idiomas.

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