Fake News: Você acredita? Não devia...

A educação virtual e o senso crítico são armas importantes para detectar informações falsas


Teclado de computador com as letras que formam a palvara "Fake News" em cada tecla em um tom vermelho

Quantas vezes você já viu alguma notícia na internet dizendo que Morgan Freeman ou Meryl Streep morreram? O início de uma nova guerra ou algum atentado surpreendente em alguma metrópole europeia foram informados em sua conta de Facebook? Por meio de um blog ou pelo Twitter você ficou sabendo que Neymar está sendo contratado pelo Flamengo ou pelo Real Madri? Você é apenas mais uma vítima de um fenômeno de caráter mundial, as Fake News.

Fake, palavra originária da língua inglesa, significa falso, falsificação, algo forjado, não original, copiado de algo de valor ou de estima. A associação deste termo ao vocábulo News, também palavra oriunda do idioma de Shakespeare, Lincoln e da Rainha Elizabeth, que se relaciona a notícias e a veiculação das mesmas por meio de mídias como jornais, televisão, rádio ou, mais modernamente, internet, deu origem a expressão Fake News, de uso corrente em todo o mundo.

Fake News representa justamente o encontro entre os conceitos de notícias e sua difusão com a ideia de falsificação, desta vez de modo mais restrito, com a comunicação ocorrendo pela internet, especificamente por meio de redes sociais. Estes canais não foram originalmente criados para tal finalidade, apesar de também serem usados por confiáveis veículos de comunicação como, por exemplo, organizações governamentais, ONGs, universidades, grupos de comunicação, canais de televisão, empresas de diferentes segmentos, jornais ou rádios.

E o pior de tudo é que muitas pessoas, iludidas por estas notícias fabricadas e mentirosas, pioram o cenário ao passarem adiante em suas próprias contas de redes sociais as informações que receberam como se fossem verdadeiras.

O que fazer em caso de recebimento de alguma notícia falsa por redes sociais? Você sabe como proceder? De que modo pode identificar as Fake News?

O primeiro procedimento, caso tenha dúvidas, é buscar notícias sobre o ocorrido em sites confiáveis, como por exemplo, websites governamentais, canais noticiosos, portais especializados, páginas de importantes e credenciados veículos de comunicação. Se a notícia for verdadeira é certo que estará em destaque em canais como UOL, Estadão, Folha, Globo, G1 e afins.

Não está em destaque? Já percorreu toda a página e não encontrou nenhuma informação relacionada ao atentado ao Papa ou ao presidente de um importante país? Olhou até mesmo nas notícias escondidas nos cantinhos, em letras menores, com menor destaque e nada apareceu? Então você está diante de uma notícia fabricada, falsa, criada para iludir você e milhares de pessoas, por isso, evite encaminhar ou replicar para quem quer que seja, não dê continuidade a esta farsa.

Que outros expedientes você pode utilizar para saber se está diante das Fake News?

  • Notícias constantemente replicadas nas redes sociais, que chegaram a você por algum amigo distante, incluído em seu círculo de amigos virtuais, com teor explosivo, ou seja, informando algo inesperado, deve ser percebida de imediato como potencial candidata a Fake News.
  • Verifique as fontes, ou seja, quem está difundindo a informação? Qual site? Quem é a pessoa responsável pelo envio desta notícia? Profissionais credenciados trabalham para empresas confiáveis e, por meio de seu nome ou do veículo que representam, dão credibilidade a informação. É possível que o nome de personalidades conhecidas seja relacionado as Fake News e, se isso acontecer, procure no Google ou em outros buscadores informações sobre o que foi noticiado relacionado a pessoa que aparece como fonte da notícia.
  • Entenda desde já que as redes sociais podem até ser utilizadas para veiculação séria e responsável de notícias, mas que, para que isso seja crível, é preciso verificar se nas plataformas em que estão sendo divulgadas tais informações a fonte é, de fato, confiável. Se você está no Facebook e surge a informação sobre um terremoto na América Central ou o disparo de mísseis pela Coréia do Norte em direção ao Japão, veja se a notícia está sendo divulgada pela Folha, UOL ou Globo, por exemplo, por meio de seus canais nesta plataforma. Entre na página destas ou de outras redes de comunicação para conferir se isso é fato, se está em destaque ou então se direcione as suas páginas na web e confirme-as. Caso nada esteja sendo veiculado é porque são Fake News.
  • Uma rápida busca no Google Notícias relacionado ao tema informado já será instrumento válido para verificar se você tem diante de si notícias fabricadas.
  • Ler a íntegra daquilo que está sendo veiculado é também iniciativa interessante. As Fake News normalmente trabalham com a informação visual rápida, dando destaque ao ocorrido no título e subtítulo, sem que, com isso, sejam trabalhadas mais informações no corpo do artigo ou então de modo que os textos sejam falhos, mal escritos, incompletos e sem qualidade.
  • Há sites e páginas que atuam com chamadas sensacionalistas, que visam impressionar os leitores e internautas em geral, atraindo-os por outros motivos, comerciais, por exemplo, ou mesmo com a finalidade humorística. Evite-as ou entenda sua proposta como sendo outra e não a de apresentar, de fato, notícias de vulto e interesse geral.
  • A URL, ou seja, o endereço da notícia falsa destacada pode, por vezes, ser associado ao de um grande e importante veículo noticioso. Ao invés de clicar diretamente no link a ser direcionado, abra em seu navegador uma página em branco e busque a fonte selecionada no Google para conhecer a verdadeira URL do site mencionado.
  • Notícias fabricadas normalmente contém erros de grafia e concordância e, isso é um indicativo de que não foram produzidas por profissionais ou por páginas críveis.
  • Fique também atento as datas de publicação das notícias já que muitas delas são veiculadas várias vezes, depois de semanas, meses ou anos de sua primeira publicação forjada.

De qualquer modo, é preciso atenção para que você não seja também um veiculador, ainda que inconsciente, das Fake News. Ao fazer isso a pessoa está prestando um desserviço à comunidade, atenta contra as pessoas ou instituições mencionadas e pode, eventualmente, ser até mesmo judicialmente acionada por calúnia, falsidade ideológica ou outros crimes. É preciso também orientar e monitorar as crianças, adolescentes e as pessoas mais velhas para que saibam o que é, como evitar e de que modo isso afeta a vida em comunidade. A internet e as redes sociais podem ser muito úteis para todos desde que usadas de forma correta, ética, sadia e responsável por seus usuários. Vamos promover o uso inteligente das ferramentas tecnológicas que estamos adicionando ao nosso cotidiano para que nossas vidas fiquem melhores e não piores...


João Luís de Almeida Machado

João Luís de Almeida Machado

Consultor em Educação e Inovação, Doutor e Mestre em Educação, historiador, pesquisador e escritor.

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