A Relação entre Professor e Aluno Pós-Pandemia: um Olhar sobre a Dimensão Bio-Humana

O que podemos aprender com a pandemia da covid-19? Que lições podemos tirar do isolamento a que fomos submetidos? Reflita conosco!


A Relação entre Professor e Aluno Pós-Pandemia um Olhar sobre a Dimensão Bio-Humana

Vamos mencionar rapidamente algumas mudanças que impactaram sobremaneira a rotina de todos os atores sociais envolvidos.

Para começar, ficou evidente que o uso da tecnologia e o acesso a ela trouxeram novos desafios, tanto para alunos quanto para professores. Embora muitos não estivessem preparados para ela, tiveram de se reinventar (para não dizer correr atrás).

Outro ponto a ser destacado consiste na aproximação dos pais com as atividades escolares dos filhos, que mudou o cenário até então ignorado ou não experienciado por eles.  

Por fim, não resta a menor dúvida de que o papel do professor ficou marcado indelevelmente como essencial, fundamental. O mestre teve de se adequar ao ensino a distância e promover diversas lives para cumprir sua função social.

Agora, diante de tudo a que pudemos assistir, vivenciar, ouvir, ver etc., o que sobressai?

 

A lição que poderemos levar para o pós-pandemia: a questão eminentemente humana

Segundo o filósofo italiano Franco Berardi, o mundo entrou na era biopolítica, na qual “os presidentes não conseguem fazer nada, e somente os médicos podem fazer algo – embora também não possam tudo”. Ouso afirmar que passaremos a viver na era bio-humana, em que o ser humano será tratado de maneira absolutamente diferente.

Na relação entre professor e aluno, então, ficará claro que o tratamento dispensado àquela singularidade, que voltará à escola cheia de medo, ansiedade, deverá ter por parte do mestre uma acolhida sem igual, reforçando os laços humanos que, antes mesmo, no ensino presencial, não eram tão visíveis.

Acredito que a solidariedade, a fraternidade e outros valores serão evidenciados nessa relação, uma vez que a vida, que habita aquele ser, a qualquer momento poderá deixar de existir. Quantos de nós não soubemos ou não perdemos pessoas bem próximas? Quantas vidas não foram completamente destruídas por causa desse vírus?

Então, a maneira pela qual o professor se manifestará diante do aluno e dos demais componentes humanos da ambiência escolar de que faz parte terá uma nova configuração, uma vez que a condição humana, que se mostrou tão frágil diante da pandemia, será realçada, privilegiada, como se esse componente (o humano) estivesse sendo colocado pela primeira vez diante de nossos olhos esbugalhados.

O conteúdo, claro, tem o seu valor. No entanto, o valor a ser direcionado à criatura humana deverá ser expandido, enaltecido. Quantos abraços não puderam ser dados por causa do distanciamento? Quantos abraços não poderão ser dados, após a pandemia, porque as pessoas não estão mais presentes?

No momento em que escrevo este texto, o país chegou a cerca de 108.000 mortes por causa da doença. Não se trata de números. São pessoas, seres humanos. Há mais pessoas se importando com a abertura dos shoppings do que com a quantidade de óbitos.

A dimensão bio-humana nos convida a mudar a nossa postura diante do ser humano, da existência e da Natureza, reestruturando nosso modus operandi mecânico, insensível, egoísta, para um modo de enxergar as pequenas coisas da vida com mais alegria, maior acolhimento, mais gratidão, menos desapego, mais amor. Muito mais amor.

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Sérgio Sinka

Sérgio Sinka

Sérgio Simka. Professor e escritor, pós-doutorando e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP.

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