Ensino Híbrido: Uma Aprendizagem Combinada

A metodologia pedagógica na modalidade da aprendizagem combinada, ensino híbrido ou blended learning, atende demandas para quem tem e não tem a disponibilidade digital.


Ensino Híbrido : Uma Aprendizagem Combinada

Conceituar ensino híbrido, ou blended learning, como uma das maiores perspectivas de metodologias pedagógicas da Educação do século 21 é relacionar os contextos das informações escolares permeados numa combinação entre o ensino presencial e as propostas do ensino on-line, integrando a educação à tecnologia, que já adentraram aos aspectos da vida do estudante, do educador, das famílias e da escola.

Educadores e famílias precisam analisar quais são os verdadeiros impactos do ensino híbrido quando massificado à beira da banalização. Porém, esse assunto se refere à grandeza de uma combinação entre aprendizagens e, por isso, prefiro assumir uma nomenclatura na língua portuguesa, como “aprendizagem combinada” entre recursos e metodologias pedagógicas nos contextos presenciais e on-line.  

Na nova perpectiva escolar, a educação acadêmica assume uma função de promover uma pedagogia em prol do protagonismo do estudante à autonomia da aprendizagem combinada. Assim, a sala de aula se torna um espaço de investigações e curiosidades diante das informações oferecidas nas plataformas digitais, onde os estudantes podem encontrar efetivas possibilidades e riquezas de conhecimentos para compor seus saberes.

O ensino híbrido levado a sério jamais substituirá o professor, muito ao contrário, este passará a assumir uma função muito maior de orientador, a fim de despertar o interesse dos seus estudantes.

 

Aspectos pedagógicos da Aprendizagem Combinada

A palavra “híbrido” é um termo usado na Biologia, especificamente na Genética, que significa produto da fusão de coisas distintas, e vem sendo atualmente comtemplado na pedagogia contemporânea, onde o instrumento principal para o exercício de uma atividade em modalidade híbrida ou combinada são as ferramentas digitais. Engana-se quem pensa que basta colocar computadores na escola ou em casa e deixar os estudantes ali sem qualquer orientação, pois demanda uma abordagem de atividades síncronas e assíncronas no processo da aprendizagem.

Ao assumir a metodologia do ensino híbrido ou aprendizagem combinada em aspectos pedagógicos mais profundos, é fundamental que sejam repensadas a organização dos espaços da sala de aula, a elaboração do plano de metodologias pedagógicas, a gestão do tempo na escola, que perpassam efetivamente pela quantidade de horas de exposição perante as telas, e a busca efetiva dos assuntos coerentes e interessantes para uma aprendizagem contextualizada e significativa.

A proposta da aprendizagem combinada traduz uma relevância de atuação de trabalho e planejamento pedagógico docente, bem como uma interação muito maior entre os envolvidos da aprendizagem escolar, ou seja, educadores, estudantes, famílias, gestores, políticas públicas, sociedade. 

A aprendizagem combinada é completamente diferente das metodologias do ensino tradicional, onde o professor ou professora é o foco da ensinagem. Na perpectiva da aprendizagem combinada, o estudante é o co-responsável do aprender a aprender, interagindo com a informação e tendo o(a) professor(a) como orientador(a) das pesquisas relacionadas aos assuntos pertinentes das áreas do conhecimento.

Na prática, pode-se dizer que o espaço da sala de aula torna-se um laboratório de ideias e experimentações, o que antes era visto como um auditório, onde os estudantes assistiam às aulas passivamente, acreditando que aprendiam somente ouvindo.

 

O papel dos educadores no Ensino Híbrido

Atualmente, com a metodologia da aprendizagem combinada pelo ensino híbrido, o estudante é estimulado a pensar criticamente, a trabalhar em grupo e a ver mais sentido no conteúdo desenvolvido e contextualizado para as demandas do cotidiano, além da efetiva pesquisa por meio dos hipertextos contextualizados das plataformas educacionais digitais e dos games educacionais interativos, muito mais dinâmicos.

O ensino híbrido tem como metodologia prioritária a “mão na massa” e, afirmo, não basta apenas colocar a “mão na massa” como uma relação para aprendizagem sensorial, mas sim disponibilizar “mais amor na massa” para poder atuar de maneira diferenciada, singular com objetivo a atender as necessidades de cada envolvido no ato de aprender.

É fundamental que a plataforma didática digital seja contemplada com informações para serem lidas, comentadas, apresentadas, recheadas de saberes pertinentes, interessantes, que deverão ser disponibilizadas diante de rotinas previamente combinadas entre os pares envolvidos na produção e autopoiese do conhecimento escolar.

Sem dúvida, essa proposta demanda um trabalho maior das(os) educadoras(es), pois é necessário fornecer previamente as informações pertinentes, a fim de perceber as necessidades e demandas dos seus estudantes. Para os pais, o desafio será a maior participação efetiva na construção de saberes de seus filhos e filhas, sendo que, diante desses fatos, será necessária uma mudança de atitude, comportamento e pensamento em prol da Educação, que não poderá se tornar obsoleta no cenário atual contemporâneo.

A educação escolar precisa acompanhar os novos rumos das novas tecnologias de um mundo organizado em um clique, em likes, sem perder a oportunidade da amorosidade, generosidade, empatia, pois, diante deste novo cenário educacional, muitos estudantes ainda são excluídos do universo digital. Por isso, a metodologia pedagógica na modalidade da aprendizagem combinada, híbrida, blended learning, atende demandas tanto para quem tem a disponibilidade digital e para aqueles que ainda não foram contemplados.

Acredita-se que a tendência será a democratização das ferramentas digitais com investimentos e políticas públicas que viabilizem a educação para uma escola mais humanizadora, em que nenhum estudante ficará sem informações acadêmicas fundamentais para o seu desenvolvimento intelectual, cognitivo, emocional e social diante da sociedade, da pesquisa, da ciência e do trabalho.   

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Marta Relvas

Marta Relvas

Bióloga. Dr.h.c em Educação, Psicopedagoga ABPp-RJ. Esp. Neurociência em Educação Especial e Inclusiva. Membro na Categoria de Professora Pesquisadora da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC). Docente e Coordenadora do Projeto do curso de Pós-Graduação em Neurociência Pedagógica da AVM EDUCACIONAL/UCAM. Docente da Universidade Estácio de Sá. Docente colaboradora UFRJ/EEFD. Professora convidada do Instituto de Neurociências Aplicadas (INA). Entre os livros lançados, estão “A Neurobiologia da Aprendizagem para uma escola humanizadora”, “Neurociência e Educação: potencialidades dos gêneros na sala de aula” e “Fundamentos biológicos da educação” e “Neurociência e os transtornos da aprendizagem”.

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