Dificuldades na aprendizagem da Matemática: discalculia, acalculia e ansiedade matemática

Muitos alunos possuem dificuldades na aprendizagem da Matemática. Descubra quais transtornos implicam nesse processo e como ajudar os estudantes.


Dificuldades na aprendizagem da Matemática: discalculia, acalculia e ansiedade matemática

A aprendizagem da matemática ainda é uma incógnita, visto que muitos estudantes apresentam dificuldades, medo e aversão a essa disciplina. 

Saber identificar se esses sentimentos são relativos ao processo de aprendizagem ou se extrapolam, alcançando um nível muito elevado de repulsa à matemática, é um dos caminhos para amparar esse estudante.

Alguns estudantes apresentam baixa autoestima em relação à sua capacidade de compreender a Matemática, e muitos acreditam que sua dificuldade está relacionada às suas características pessoais, como desatento, preguiçoso e outros rótulos que não são dignos nem de serem redigidos aqui.

No entanto, o que muitos estudantes e familiares desconhecem são as causas dessa dificuldade, que nem sempre está relacionada ao estudante.

Nesse sentido, é preciso conhecer alguns transtornos de aprendizagem que são fatores que implicam no entendimento da matemática, dentre eles a discalculia, acalculia e ansiedade matemática.

 

Transtornos de aprendizagem que implicam no entendimento da Matemática

Discalculia

A discalculia é um distúrbio neurológico que afeta a parte do raciocínio matemático da criança.

A primeira vez que a palavra discalculia foi apresentada foi em 1920. Entretanto, ela só ganhou força e destaque a partir de 1974, por meio das pesquisas de Ladislav Kosc, que observou que a discalculia estava embasada em possíveis sistemas anatômicos e fisiológicos envolvidos na maturação das habilidades matemáticas. Algumas pesquisas apontam que pode ser genética.

Os primeiros sinais já podem ser identificados desde a tenra idade, mas é necessário que a criança tenha vivenciado os anos iniciais da educação básica.

Em se tratando dos sintomas da discalculia, os mais característicos são: dificuldade no desenvolvimento de cálculos matemáticos, podendo apresentar alteração nas habilidades viso-motoras, dificuldade de associar números com quantidade e operações de conservação, espaço temporal prejudicado e dificuldades de distinguir formas, tamanhos, quantidades e espessuras.

 

Acalculia

A acalculia é ocasionada por um dano cerebral, como acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou alguma outra lesão no cérebro.

Consiste na perda das habilidades matemáticas decorrentes desses episódios e se refere à perda ou alteração na capacidade de realizar tarefas matemáticas, sendo resultado de algum tipo de dano cerebral.

 Acalculia é a perda das habilidades matemáticas já adquiridas, como contar, somar e subtrair. Podendo surgir em qualquer idade, uma vez que sua causa está relacionada a um dano cerebral.

Para auxiliar o estudante com acalculia, é fundamental considerar suas peculiaridades com vista a alcançar o desenvolvimento de novas formas de ensino e aprendizagem da matemática, elaborando atividades que sejam individualizadas para poder atingir os objetivos educacionais com mais concentração, interesse e motivação.

 

Ansiedade matemática

Alguns estudantes apresentam aversão, repulsa e medo da matemática. Essa aversão à matemática é chamada de ansiedade matemática e pode possibilitar uma resposta negativa aos estímulos numéricos que modificam o estado cognitivo, fisiológico e comportamental do estudante.

Essas reações são descritas como preocupação, desamparo e medo frente à matemática, ocasionando muitas vezes desmotivação, desinteresse, abandono escolar e fuga de atividades que envolvam a matemática.

As causas ainda não foram estabelecidas, mas algumas pesquisas revelam alguns aspectos como: distúrbios de aprendizagem, a interação professor/estudante, as implicações das atitudes dos professores, metodologias inadequadas, fatores cognitivos e afetivos, ansiedade dos pais e a influência familiar.

 

Como ajudar os alunos com dificuldades na aprendizagem da Matemática?

Para ajudar os estudantes com discalculia, acalculia ou ansiedade matemática, é fundamental um diagnóstico correto e precoce e intervenções individualizadas e estruturadas considerando os aspectos emocionais e metacognitivos dos estudantes.

Esses fatores vão além de problemas relacionados com a matemática, desencadeando problemas de ordem psicossocial, pois sua vida cotidiana fica desestruturada, com prejuízos sociais, emocionais e psicológicos. Algumas vezes, desencadeiam reações fisiológicas, ou seja, diante de atividades que envolvam a matemática, o estudante pode sentir dor estomacal, mãos frias e trêmulas, dores de cabeça e outros.

Estudantes com discalculia e ansiedade matemática requerem diferentes tipos de intervenção, de acordo com suas especificidades.

Observamos que a sociedade está repleta de atitudes que estigmatizam a matemática e consequentemente os estudantes, com frases do tipo: matemática é chata; sem significado; não serve para nada; é difícil; é dom, quem sabe matemática é mais inteligente; precisa de aptidão; com expressões estereotipadas com base no gênero, ou seja, matemática é para homens; a conquista da matemática está relacionada a etnia.   

A escola e a família podem ajudar deixando de reforçar esses pensamentos, incentivando a leitura de livros paradidáticos acerca da matemática, organizando o material, local para estudo e horário.

As atividades lúdicas são importantes para o desenvolvimento do estudante. Jogos de tabuleiros, jogos digitais, on-line e aplicativos de celulares são recursos que ajudam na elaboração de estratégias, raciocínio, cálculo e contemplam outros conteúdos do currículo matemático.

Mostrar ao estudante que a matemática faz parte das atividades diárias é um dos caminhos a ser trilhado para amparar esses estudantes.

Conhecer esses fatores que implicam no aprendizado do estudante nos orienta para entendermos que nem sempre as dificuldades de aprendizagem são oriundas de fatores intrínsecos ao estudante, possibilitando excluir os rótulos e predicativos negativos que são atribuídos à criança e ao adolescente.

Ao retirarmos esse fardo dos estudantes, estamos ajudando em sua autoestima, na aprendizagem da matemática e no seu processo de desenvolvimento biopsicossocial, livrando-o de estigmas e possibilitando uma nova relação com o aprender.

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Ana Maria Antunes de Campos

Ana Maria Antunes de Campos

Escritora, doutoranda em Educação Matemática pela
PUC-SP, mestre em educação pela UNIFESP, neuropsicopedagoga, pedagoga,
psicopedagoga. Possui graduação em Licenciatura em Matemática pela Universidade de
Guarulhos. Pesquisadora em Educação Matemática, Discalculia e Dificuldades de
Aprendizagem.

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